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Patricia Mello

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A carta da Morte

05/10/2010 08:48

 A  Morte

 

Todos os dias ouvimos  a respeito da morte, mas a ignoramos porque ninguém quer encará-la de frente. Até que somos obrigados a ficar frente a frente com ela, geralmente quando algum ente querido ou amigo parte para uma nova . Uma situação assim reforça um aspecto muito negativo a cerca da morte, sentimos tristeza, medo, desespero, desesperança e tantos outros sentimentos que não queremos ter , porque somos seres que buscamos sempre o bem estar e a felicidade.

 

Estes sentimentos só mudam quando a morte vem resgatar aquela pessoa que já viveu muitos anos  ou que há  uma doença a consome tornando os seus dias muito sofrido tanto pra ela, quanto pros seus. Então nos convencemos que Deus teve misericórdia do seu sofrimento e a levou pra descansar.

 

Pois bem, esta é a conotação que nós ocidentais temos da morte, mas será que a palavrinha morte existe só para enfatizar a perda de alguém? Com certeza que não, existe morte social, morte política, morte de um relacionamento, morte profissional e por ai vai.

 

Passamos então a analisar a morte como algo positivo, definitivo  e  necessário.

Vamos começar a ver que a morte não é só ausência de vida.

Nos arquétipos de uma cultura muito antiga, a dos ciganos, a carta da morte nunca esta efetivamente relacionada a perdas, ela pode representar um grande e importante momento de transformação e renascimento. Uma oportunidade única de renovar o velho, de jogar comportamentos e atitudes mesquinhas e superficiais e assumir uma postura totalmente nova e revolucionária, trazendo muitos benefícios a nós e a todos a nossa volta.

 

Por exemplo:  um relacionamento que sucumbe com brigas e acusações  pode parecer a ambos ou a um deles que realmente é o fim. No fundo percebe-se que ainda  existe amor e muitos planos a serem realizados pelo casal. Mas frente as dificuldades da vida e a incompreensão dos fatos que estão por trás  daquela crise, eles não conseguem  enxergar as  atitudes velhas e podres que fazem o relacionamento falir.

 

Eles não se dão conta que trazem consigo maneiras e hábitos diferentes de enfrentar essas adversidades e se debatem, se digladiam até as suas forças exaurirem e não terem mais como seguir em frente com o relacionamento e desistem, mesmo se amando, se separam.

 

Eles não percebem ali a grande oportunidade de renascimento que existe naquela situação. Não entendem que tem que enterrar velhos hábitos, não entendem que ao se conhecerem exteriorizaram somente o lado bom de cada um e todos nós temos o outro lado.

 

Não que queira dizer que o outro lado é ruim, mas muitas vezes é o que somos realmente. É a nossa parte que escondemos até de nós e que mais cedo ou mais tarde vem a tona. Nossos medos, nossa teimosia, nosso egoísmo. Os sonhos e aspirações pessoais que deixamos lá trás quando nos apaixonamos são substituídos por outros planos, agora em conjunto . Estamos tão entusiasmados com o novo relacionamento que nos esquecemos de todo o resto e isto se transforma em uma arma perigosíssima e fatal.

 

Não podemos ter uma visão romântica, nos basear em coisas que as pessoas falam de si mesma e acreditar que aquela é a verdade absoluta sobre ela mesma, é um atitude totalmente imatura de ambas as partes e se chama ILUSÃO. Precisamos viver, entender, observar, colher dados coerentes de que essa outra pessoa representa muito para nós, independente do que ela diz e age, e assim desenvolvendo o amor em bases sólidas.

 

Como na maioria das vezes os relacionamentos são baseados na paixão logo, vendo somente o que queremos ver na outra pessoa, surge a sensação de arrependimento, de que foi traído, de vazio e as acusações mútuas do quanto que um se comprometeu abrindo mão até mesmo dos seus sonhos.

 

Pois é certo, um dia, cedo ou tarde, nossa consciência cobra, afinal somos um misto de projetos individuais, não somos só marido e mulher, não somos só filhos ou amigos ou pais, nem muito menos só profissionais, somos tudo isso. E se calamos algo, se escondemos isso em algum canto dentro do nosso interior, um dia ele vai ressurgir. E tudo o que foi reprimido ressurge em forma de cobranças raivosas e regadas de culpas e ressentimentos, geralmente contra a outra parte. Sim! Porque todo fim de relacionamento, nunca somos culpados ou o outro lado é muito mais que nós. Somos mártires, pois abrimos mão de coisas muito preciosas em prol do outro.

 

Que tal então compreender que quando as coisas estão difíceis e achamos que estamos próximo do fim, este pode ser um recomeço? Que tal reconhecer que as experiências vividas até então valeram para nos abrir os olhos para as coisas que necessitam ser resolvidas e amadurecidas? Que tal considerar que aquele emprego perdido, a doença que avança, que aquele filho que não vem, os quilos que não perdemos, aquela viagem que não fizemos, aquele amor que anda desgastado pelos problemas, que tudo isso, que se abateu tão obscuramente sobre nós, nos trazendo sensação de dor e perda, possa ser uma oportunidade que a vida nos dá para, assim como a fênix, ressurgirmos das cinzas.

 

Não existe árvore se a semente não morrer. Não existe borboleta se a lagarta não desaparecer. Tudo na vida um dia morre pra se transformar em algo muito melhor. Na realidade não morre , se renova.

As vezes pensamos que esta renovação vem através de um novo relacionamento, um novo emprego, sair da casa da mãe ou até mesmo desistir da vida, isso é DESISTIR , e começar tudo de novo

 

Vivemos num mundo material onde não compreendemos o lado mais sutil de nossas experiências e por sermos muito imediatistas quando as coisas não saem como planejamos, temos a tendencia de desistir jogando todas as experiências vividas até então  pelo ralo..

 

E para a maioria da pessoas é muito difícil entender que essas transições são necessárias e que serão sofridas, porque toda morte é sentida com pesar, tristeza e junto uma serie de adaptações inerentes a situação.

 

Justamente por não querer passar por essas transições, se aprofundar no que temos que mudar e morrer, é que nos impede de renascer mais fortes. Por isso trocamos de marido/esposa, emprego, profissão, rompemos com filhos.

 

Se entendermos que largando um pouco de nossa casca dura que colocamos lá para nos proteger dos outros, podemos perceber que o maior causador de ilusões, está na parte de dentro. Assim vamos rompendo com esses padrões  e externando este momento como único, um novo nascimento! Sim , foi assim que nascemos e nasceremos muitas outras vezes. É quando nos permitimos chorar, nos debater, ter raiva até romper a casca. É assim que a plantinha nasce...a casca se rompe.

 

E daí percebemos que nossas angustias, nossos sofrimentos eram frutos de uma resistência a mudança e entendemos que somos os únicos seres na fase da terra que resiste a isto. Mas justamente isso nos faz seres muitas mais evoluídos espiritualmente do que qualquer outro, pois escolhemos no fundo da nossa alma que é assim que aprendemos, pelo dor.

 

Agora você pode escolher...romper e ... desistir e assinar a sua incapacidade de ver a morte como a  única certeza da vida e onde não há mais para onde ir, criando a sensação de que não há mais nenhuma expectativa de novas aventuras.

Ou você romper e ....evoluir....voar livre com a bagagem estampada na alma de que todo sofrimento, por mais que não queiramos aceitar, tem a sua compensação e esta se chama: LIBERDADE!

 

Escrito por Patricia Mello – Todos os direitos reservados